21 agosto 2014

Aquele ditado que diz que nada é como queremos


Quando eu era pequena, já tinha muita ambiciosidade para a minha vida de adulta. Eu me via sendo muito feliz com os meu pais velhinhos morando comigo, com marido e bebês, cachorros, gatos e passarinhos.. na minha mente, eu trabalharia com muitos papéis, como nos cartórios que eu ia "resolver as coisas" com os meus pais. Em minha mente, eu jamais iria ficar sozinha.

Na verdade, na minha própria adolescência as coisas já começaram a mudar: Eu perdi o meu pai, já não tinha uma família muito presente, sendo que o nosso ciclo parental era Eu + Pai + Mãe + Algum Bichinho de Estimação. Graças a Deus fiz da minha dor a minha força e busquei a melhoria. Daí eu já comecei a ver que aquele sonho de infância se formava diferente, pois o plano de viver até ser mais velha com os meus pais já foi por água a baixo, mas a luta com a minha mãe continuava.

Eu nunca fui (pelo menos nos últimos anos) de expor a minha vida pessoal, falar publicamente sobre meus planos, minhas perdas ou meus ganhos, mas aqui, me sinto a vontade. Eu nunca (pelo menos até agora) tive muita sorte com o amor, até hoje namorei duas vezes... uma de 4 meses e outra de quase 4 anos, sei lá, também nunca fui boa com números então eu chuto esse tempo. No primeiro namoro a pessoa era gente boa e tinha algumas coisas em comum, mas eu não me sentia a vontade, na segunda tínhamos todas as coisas do mundo em comum, mas o principal ficou para trás. É aquela coisa de que parece que ninguém nunca vai se encaixar na minha personalidade, e apesar de nova, já me sinto muito velha pra isso, fiz de outras coisas, minhas prioridades na vida. O plano do marido e dos bebês fica "pendente" na minha vida, tento em vista que a única coisa que me sobrou foi trabalhar com muitos papéis... coisa que eu já faço desde quando entrei na faculdade.

O que eu aprendi com tudo isso? Que a vida é realmente algo muito incerto para algumas pessoas. Existem aquelas pessoas que planejam uma vida toda e realmente dá certo, e existem pessoas como eu, que planejam a vida de uma forma e ela vai acontecendo de forma oposta. Não necessariamente ruim, mas oposta. Eu tenho aprendido a ser uma pessoa forte, mais madura, mais convicta. Incrível a mudança de meses para cá.

Eu aprendi que sou criança sim, sou intensa, chorona, carente, clichê, entregue demais... com orgulho, e isso nenhum plano e nenhuma pessoa vai tirar de mim. Eu nunca vou deixar de ser o que eu sou, de gostar das coisas que eu gosto por ninguém, as pessoas que não aceitam isso, simplesmente se vão da minha vida, e não adianta se quer um dia cogitar a volta dessas pessoas (verdadeiramente no plural), pois só fica quem é capaz de me aceitar. 

Incrível perceber que de tantos sonhos, por enquanto só tenho uma pilha de papéis. A vida pode ser longa demais ou curta demais, tudo depende de um ponto de vista, mas eu escolhi esperar pelas surpresas que ela me reserva simplesmente deixando acontecer. Eu sou uma das pessoas que não devem planejar a vida como se fosse uma novela. Não sou eu quem vai decidir o final.

Feliz em escrever aqui :)